quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Singeleza Nossa de Cada Dia

Impossível não lembrar de A Fúria da Beleza nesta tarde.
A passos lentos entre o cinza dos prédios, mal vestido e com a barba por fazer,  ele era a própria representação da rudeza não fosse um pequeno detalhe em sua mão: A Maria-sem-vergonha!
Onde vai este homem disfarçado de encanto. Para onde caminha esta força e delicadeza. O presente que carrega é para si? Que destino tem essa flor? É inevitável não criar possíveis explicações.
Em minha infância elas vestiam o quintal de minha vó, as calçadas perto da escola...
Como não percebê-las? Se beleza fosse uma flor, na tarde de hoje chamaria-se Maria-sem-vergonha. A mais ordinária das flores do meu dia.
Querido desconhecido, obrigada pela leveza que trouxe ao meu dia.

Cinthilar em: 10.10.13



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

De Lembrar.

Uma Nova Mulher
Simone

Que venha essa nova mulher de dentro de mim,
Com olhos felinos felizes e mãos de cetim
E venha sem medo das sombras, que rondam o meu coração,
E ponha nos sonhos dos homens
A sede voraz, da paixão
Que venha de dentro de mim, ou de onde vier,
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das onças e lute com todas as forças,
Conquiste o direito de ser uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor....quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades
E dona de mim livre, livre, livre para o amor, quero ser assim,
Quero ser assim, senhora das
Minha vontades e dona de mim....
Que venha de dentro de mim, ou de onde vier,
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das corças e lute com todas as forças,
Conquiste o direito de ser uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor quero ser assim, quero ser assim,
Senhora das minhas vontades
E dona de mim livre, livre, livre para o amor, quero ser assim,
Quero ser assim, senhora das
Minhas vontades e dona de mim....
Que venha essa nova mulher de dentro de mim
Que venha de dentro de mim ou de onde vier
Que venha essa nova mulher de dentro de mim

Composição: Paulo Debétio - Paulinho Rezende ·


domingo, 4 de agosto de 2013

Carta à Uma Estrela [2]

Oi mãe,

Há tempos não lhe escrevo, me sinto meio boba colocando essas palavras aqui. É que não me restam muitas opções...
As coisas por aqui caminham com tranquilidade, me sinto menos ansiosa ultimamente, acho que os anos têm me feito bem. Não posso mentir para você... Vez por outra eu tropeço e volto ao antigo afobamento. Ainda estou aprendendo.
Tenho vivido uma experiência engraçada no trabalho, me sinto um pouco mãe daqueles meninos, mesmo daqueles mais velhos que eu. Você iria gostar de ouvir os relatos diários das pérolas que eu encontro na sala de aula.
Ah! Você precisava ver Daniel na versão homem malhado! kkkkk O danado tá é bonitinho, mas não conta pra ele que eu disse isso. Sem contar que eu posso até imaginar como seria engraçado lhe ver andando de moto com ele, a senhora com essas perninhas curtas... xiiii... Ia precisar de um banquinho!
Olha... Não quero lhe deixar preocupa, eu tô bem... Vou ficar bem. É que hoje bateu uma saudade tão grande, tão grande... Que eu precisava tentar amenizar essa dor de alguma forma. Hoje no caminho pra casa me peguei admirando o "mato" da estrada todo florido. Não aguentei, acabei chorando no ônibus. Sinto sua falta, dos seus olhos de enxergar, de lhe ouvir dizer que as pessoas estavam enganadas, que nós temos primavera e que bastava prestar atenção pra perceber como em certa época do ano o chão ficava repleto de flores. Sinto falta de seu encantamento pela vida e da sua presença em forma de abraço.





quinta-feira, 6 de junho de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

É Apenas Outra Chuva

Hoje eu queria a solução dos fracos
De quem se sente vítima do mundo e por isso se acha no direito:
De gritar minhas verdades,
De magoar e machucar quem eu penso ter me ferido,
De agir como a dona soberana da razão.
Gente escandalosa deve ser mais livre, talvez sofra menos
Gritar pode ser uma forma de se livrar das raivas, dessa sensação de injustiça e impotência
E era isso que  eu gostaria de ter feito...
Ao invés disso reuni o que me restava de forças e aqui  digito essas palavras
A verdade é que eu desisti!
Tenho medo das palavras e do quanto estas navalhas podem cortar
Quem tem suas feridas abertas  e a duras penas tenta cura-las não se sente bem ferindo outrem.
Tenho medo do perdão, da nova chance, de confirmar a minha teoria sobre a falta de cuidado
Era exclusivamente raiva, agora é mágoa e impotência que eu espero que não sejam cultivadas
Por fim é esperança de que eu não desista das coisas que acredito, porque em algum lugar desse meu coração cansado e imaturo, por baixo dessa grande confusão eu sei das respostas.




sexta-feira, 24 de maio de 2013

Poesia por Acidente

Só gente chata não tem confusão
Eu resolvi fazer as pazes com a contradição
Chamei pra tomar um café, pruma conversa...
Quando ela quiser ir embora as portas estarão abertas.

segunda-feira, 6 de maio de 2013


À Palo Seco
Belchior

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força desse destino
O tango argentino me vai bem melhor que o blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Eu quero que esse canto torto
Feito faca corte a carne de vocês




quinta-feira, 2 de maio de 2013


Bom... Devo ter ultrapassado minha cota de arte esses dias, o sarau de ontem me expôs a tanta coisa que acabou me deixando "tão a flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar "♪♫ 
Passei o dia me perguntando porque a arte no geral me comove tanto, é um ponto fraco tão exposto, me torna tão vulnerável que nem sei como me defender. 
A trilha sonora do dia é uma canção que ouvi na voz do Wilson Simoninha, acho que através dela consegui me aproximar de uma explicação para o que sinto, é que a arte permite que nos reconheçamos. 


"tantos momentos
me fazem chorar
onde estou?
o que eu sou?"

Então é isso, ando cansada dos pesos que carrego. Não há crime e não há culpados é só aquela velha sensação de fraqueza, o cansaço de quem anda por uma estrada que parece não chegar a lugar nenhum. 

26 de Dezembro

por um instante
fecho meus olhos
e vejo o mundo parar
volto as lembranças
um gosto de infancia
que deixei passar
um riso distante
uma onda me leva
ao fundo do mar
mãos quentes e fortes
ensinam meu corpo a se levantar
lembro as paisagens
um abraço conforto
pareço tocar
um gesto um beijo
tantos momentos
me fazem chorar
onde estou?
o que eu sou?
se não pude acordar
um canto baixinho
uma voz um carinho
meu dispertar
agora entendo
se foi meu sorriso
que o homem levou
sinto as pessoas cheias de todo
e menos de amor
não vi tantas coisas
não fui tão incrivel
mais posso falar
me dê a mão
escute meu peito
a te acompanhar
abro meus olhos, enxugo meu rosto
vejo o tempo andar
eu quero viver
cada segundo deixa o mundo entrar
vocês me deram mais uma chance
pra que eu possa sonhar
e a toda manhã
olhar pra vocês e me apaixonar
vocês me deram mais uma chance
pra que eu possa sonhar
e a toda manhã
olhar pra vocês
e me apaixonar


segunda-feira, 8 de abril de 2013

De retomar antigos hábitos
De permitir-me novos encantos
De temer novos desencontros

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Das Sutilezas de Dona Vida

Se tem uma pessoa nessa vida que anda questionando a metodologia de dona vida, esta sou eu. Sempre achei que ela é muito rude quando tenta me passar suas lições, tenho andado tão revoltada nas últimas semanas que a estava xingando de verdade. Me revoltei! ME RE-VOL-TEI!
_ Deixe de ser injusta D.Vida. Que palhaçada é essa? Será possível que tudo o que eu preciso aprender precisa vir assim, embalado em extrema dificuldade? Aposto que a senhora está de marcação. Vejo tanta gente por ai que nunca passou nem pela metade do que passei... É o seguinte: Eu protesto! PRO-TES-TO! Entendeu?
_ Você já parou pra pensar que nem toda lição precisa ser tão agressiva? Custa ao menos por uma vez a senhora ser sutil e me mandar um recado carinhoso?
Pasmem! Ela aceitou o desafio. E  do modo mais inesperado, recebo um presente. Ganhei um par de brincos no meio da aula, neles está a silhueta de uma borboleta em cima de uma flor. Achei D.Vida de uma delicadeza tão grande que me emocionei.
Eu aqui me sentindo a injustiçada... É que eu nunca tinha parado pra pensar o quão difícil deve ser a vida de uma lagarta que se transforma em borboleta. Passar dias e dias rastejando, depois ficar trancafiada em um casulo se sentindo solitária, sem cores, sem Sol e ainda ter que passar por dores horríveis até que todo o seu corpo seja modificado não deve ser fácil.
É que eu estava tão concentrada em minhas próprias dores que eu esqueci que o mundo não gira em torno de meu umbigo e que os grandes aprendizados passam por longos períodos de dificuldade. As borboletas só conquistam a liberdade depois de terem vivenciado a solidão e a prisão.
Para minha surpresa Dona Vida se mostrou capaz de uma sutileza sem igual e me lembrou o quanto preciso suportar até encontrar o que busco.



P.S.: Perdoe-me os julgamentos e incompreensões, é que eu pensava já ter aprendido muita coisa e entendo que ainda há um longo caminho a ser percorrido. Lhe sou grata mesmo desse jeito torto.



Liberdade

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não,
eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que eu já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É, Deus,
parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
Seguro
De que vale ser aqui
De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar
Liberdade




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Oração ao Vento, ao Tempo e a Água

Vem vento, seja bem vindo. Agora que tu já reviraste as folhas de meu jardim me ajude a renovar este cenário. Não cesses ainda, renova também o ar que respiro. É certo que meus pulmões acostumaram-se a este ar pesado, mas tenho certeza que em breve ele se acostumará com o oxigênio e o cheiro de flor das estações mais quentes.
Vento, agora que já renovastes meu jardim e o ar que me chega ao peito aproveita para secar estas lágrimas que teimam me escorregar pela face. É que eu ainda não perdi o desconsolo do choro da infância e vez por outra preciso que me enxuguem as lágrimas.
Tempo, me estenda a sua mão. Sei que tu és capaz de edificar e destruir, sei que és capaz de transformar passagens nebulosas em lembranças ternas. Por isso te peço que assim como o vento passes um pouco mais depressa.
Água, tu que apesar de fluida não perdes a resistência ensina-me a educar sentimentos para que eles também sejam fluidos. Ensine-os a mudar de estado só através dos ciclos eles poderão ser completos. Conhecendo a menor densidade e dureza do gelo, a força do que está líquido e é capaz de transportar grandes rochas transformando-os em pequenos seixos que como um tapete forram o leito dos rios. E por fim, ensina-me que os sentimentos assim como o vapor podem se expandir, ocupar maiores espaços e depois, num ato de generosidade, se condensar para chover os saciar os sedentos.

P.S.: Dona Vida é meio louca e por vezes coloca estranhos em nosso caminho para nos dizer exatamente o que precisamos ouvir. A manhã de hoje é um desses momentos para ficarem guardados na memória como uma resposta direta de Dona Vida.
Um estranho chamado marcos, uma preta a escrever uma oração sob a sombra de uma árvore e as frases sobre as belezas que ela um dia quis ouvir.
Um anjo, um mensageiro de dona vida ou simplesmente mais um cacheiro viajante. =)