quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Conversas de ponto de ônibus: Transtorno de Personalidade Borderline

A vida inteira dependi de transporte público e acreditem, já ouvi de tudo dentro ou mesmo em pontos de ônibus. A surpresa da semana, a de ontem pra ser mais precisa, foi trazida por uma desconhecida.
Lá estou eu sentada esperando o bom e velho 303 na universidade, eis que chega uma mulher com traços leves de Síndrome de Down e começa a puxar assunto, diz que está nevosa que seu pulso dói muito. Eu pergunto o que aconteceu e ela me responde que cortou o pulso. Neste momento eu vejo uma espécie de curativo feito com guardanapo e durex no pulso esquerdo e manchas de sangue na mão direita, continuo a conversa acreditando que o ferimento deve ter sido fruto de algum acidente. A moça prossegue em seu relato, diz que tem muita raiva do vigilante do departamento de psicologia, que é sempre vítima de piadas maldosas, segundo a mesma por ter síndrome de Down. Diz que qualquer dia desses cria coragem e faz uma besteira e completa que não tem coragem, que se corta por não tem coragem de machucar outras pessoas. Só então compreendi o que até então meu cérebro se recusava a aceitar. A MOÇA  (Eliane - descobri seu nome após alguns minutos de conversa) ACABARA DE CORTAR SEU PRÓPRIO PULSO!!!! Continuei a conversa tentando agir da forma mais natural possível. Lembro apenas de ter balbuciado qualquer coisa sobre não deixar que a opinião dos outros a  fizesse tanto mal. Que idiotice a minha! Como se fosse fazer alguma diferença para ela o meu comentário ¬¬'
O tão esperado 303 se aproxima e eu simplesmente não consigo sair do lugar, como poderia depois de ouvir tudo aquilo? Eliane pergunta se eu vou pegar aquele ônibus e eu digo que sim, ao me ver imóvel diz que não preciso me preocupar, que não deveria perder o ônibus por sua causa. Eu então a cumprimento e entro no ônibus.

Fiz uma breve pesquisa e descobri que provavelmente Eliane sofra do Transtorno de Personalidade Bordeline. Quem tiver curiosidade pode dar uma olhada em: http://www.mentalhelp.com/Borderline.htm
É possível que a discriminação que ela me relatou seja apenas fruto de sua imaginação
Pensando bem... é possível até que os ferimentos não sejam verdadeiros.


Sei apenas que as palavras de Eliane ainda reverberam em mim. E que depois deste encontro agradeço a Deus pela saúde que tenho e pela sanidade que penso ter.


domingo, 11 de setembro de 2011

Cicatrizes

Como pode? Acho que viver é assim mesmo... mesmo diante de muita felicidade em um minuto de "descuido" as antigas feridas teimam em doer.
Talvez sejam as cicatrizes uma espécie de lembrete, um meio de nos fazer lembrar não da circunstância do ferimento, mas para que continuemos a lutar pela felicidade de cada dia.