Dizem que estou desfigurado, com razão
Estou cansado de pedir a Deus,
Aos céus enfim
Um amor, onde encontrarei, Senhor!
Livrai-me desta nostalgia
Confiante ainda espero o dia
Meu coração é pobre e magoado
É infeliz como um menor abandonado
Viveu sempre nesta ilusão
Procurando outro coração
Hoje foi um desses dias meio baixo-astral (isso foi tão 'super xuxa contra o baixo-astral'. Deus, como eu to velha! kkk). Enfim...Muita coisa na cabeça, um aperto no peito, um pouco de desesperança. Li esse texto que dizia que há poesia em tudo e que nós só precisamos abrir os olhos pra ver, então pus um tênis, short e camiseta e fui buscar a bela poesia da tarde.
Gosto muito do ambiente do parque da criança, me traz lembranças boas dos vários encontros com amigos, por causa dos pássaros que fazem festa nas árvores, porque nessa época do ano o ipê esta florido e forma um grande tapete cor de rosa no chão, por causa dos velhinhos fazendo caminhada a passos lentos, pelas mães e seus carrinhos de bebê e até pelos "bonitões" que se acham como tal e que são muito engraçados pelo comportamento altivo, aquele ar de "vejam só os meus músculos que amor cultivei" kkkk. É divertido e tudo isso me lembra Deus.
Hoje saí de casa com a certeza de que iria assistir uma cena muito bonita e realmente. Sentada à sombra de uma árvore vi quando seis meninos corriam em direção a um dos quiosques do parque, uns estavam sem camisa, outros descalços... O grude estava por toda parte: nos pés, nas bermudas e nas camisetas. O pretume espalhado pelo corpo testemunhava as inúmeras brincadeiras que com certeza tiveram naquela tarde de quinta-feira. Vejo um menino de canelas finas chegar primeiro, agarrar-se a uma garrafa de refrigerante chamando os demais, vejo-o bebendo o líquido que enxia pela metade a garrafa e depois de um longo gole ouço-o gritar para os outros: É suco de maracujá, toma! E fazendo cara feia disse a outro: Ah você não quer? Pois eu quero! Tudo naquela criança me fazia acreditar que era um líder, do modo como falava ao jeito de andar. Em menos de trinta segundos todos estavam tomando o bendito suco, claro que não haviam copos e o passar da garrafa de uma mão para outra me parecia um ritual, uma espécie de ceia secreta da Sociedade do Maracujá, uma ceia caminhante é bem verdade, eles tinham pressa não podiam sentar, coisa de criança que sempre esta correndo, elas sabiamente têm certeza de que o tempo é precioso e que precisam aproveita-lo.
Saindo do parque caminhei em volta do açude velho, assisti um belíssimo pôr-do-sol que se refletia na lâmina d'água, vi senhoras e seus poodles, avôs com seus netos, descobri a existência de um monumento dedicado a Bíblia (tanta coisa pra fazer nessa cidade e o povo vai construir monumento a bíblia? Pelo amor de Deus, é muita falta de noção!) vi a quantidade de lixo jogada no açude e senti o mau cheiro que exalava. Em direção ao centro da cidade encontrei algumas velhinhas nas janelas, estranhamente elas sempre me chamam a atenção, me encanta aquele sorriso de quem já viveu muito, que correu muito e que talvez por isso tenha deixado a pressa de lado. As vezes fico imaginando como teria sido ver minha mãe envelhecer, esse tipo de coisa me fazia sofrer muito, hoje é uma curiosidade mais serena. O tempo é mesmo um dos deuses mais lindo e tem me feito muito bem.
Chegando ao centro da cidade vi o anoitecer e a correria nas lojas, a cidade respira os festejos e compras natalinas. Após um lanche voltei pra casa com o coração mais aliviado, com a felicidade das coisas simples e a esperança de que a vida é realmente muito bonita para eu ficar perdendo tempo com inseguranças e preocupações tolas, com a certeza de que Deus faz poesia todos os dias, ele sempre espalha singelezas como as de hoje mas é preciso olhos de ver e coração de escutar. Deus, obrigada por tua infinita bondade, da-me a graça de não perder a esperança e o brilho do olhar.
Cabe tanta coisa num silêncio
Cabe o que tantas vezes tive vontade de dizer e não disse
Cabem as verdades que eu teimo em não aceitar
Sobretudo cabe esse aperto no peito.
"Palavras e Silêncios que Jamais se encontrarão"(Zeca Baleiro e Fausto Nilo)
O Trilha Sonora do dia começou mais cedo desta vez. Hoje vamos de Zeca Baleiro, um artista incrível, tive a oportunidade de assistir dois shows seus muito bons. E ai está meu miuto mico/tiete.
Agora vamos falar do achado da madrugada e deixar de enrolação. A música de hoje é 'Nalgum Lugar', esta canção não fazia parte do meu repertório, mas que por acaso entrou na playlist e acabei prestando atenção. Há pelo menos umas três semanas estou tentando escrever algo sobre olhares e a capacidade de interpretação que algumas pessoas têm, mas ainda não consegui. A música de hoje fala exatamente sobre isso, descreve a sensação de ter um olhar interpretado, mas sobre tudo traz alguns dos versos mais simples e bonitos que já li/ouvi:"Só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas." Porque assim como cabe muita coisa num silêncio, cabe muito num olhar e ouvir a voz dos olhos de alguém é para poucos.
(:
Nalgum Lugar - Zeca Baleiro
Nalgum lugar em que eu nunca estive
Alegremente além
De qualquer experiência
Teus olhos tem o seu silêncio
No teu gesto mais frágil
Há coisas que me encerram
Ou que eu não ouso tocar
Porque estão demasiado perto Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra Embora eu tenha me fechado como dedos Nalgum lugar
Me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre
Tocando sutilmente, misteriosamente
A sua primeira rosa
Sua primeira rosa
Ou se quiseres me ver fechado
Eu e minha vida
Nos fecharemos belamente, de repente
Assim como o coração desta flor imagina
A neve cuidadosamente descendo em toda a parte
Nada que eu possa perceber neste universo
Iguala o poder de tua intensa fragilidade
Cuja textura
Compele-me com a cor de seus continentes
Restituindo a morte e o sempre
Cada vez que respirar
Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre Só uma parte de mim compreende Que a voz dos teus olhos É mais profunda que todas as rosas Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas (2x)
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.
P.S.: Não sei o que é mais bonito se a música, ou as cenas do filme.
Esse tal de Facebook é mesmo um negócio viciante e depois que eu descobri o perfil do Depósito de Tirinhas então... Diga se não é a coisa mar liinda essa tirinha aqui em baixo:
Só quem passou/passa pelo REGOSTAR vai admirar a singeleza das palavras da Marcie. Aliás qualquer semelhança entre eu a mocinha de óculos da tirinha é mera coincidência viu!kkk
Bom... o mundo inteiro já ouviu falar no Snoopy, Charlie Brown e sua turma, eu guardo da infância um bichinho de pelúcia da namorada do Snoopy, mas não lembrava do desenho animado, nem conhecia bem as tirinhas. A verdade é que o Schulz me pegou. Estou completamente viciada no trabalho do americano e estoou começando a pesquisar, comecei pelo nome das personagens:
Ultimamente tenho 'querido' muita coisa(e não me venham com gramática a essa hora). Tenho feito análise dessas minhas vontades e percebi que muito do que eu quis não era pra mim, melhor dizendo, não eram o melhor para mim.
É muito misterioso o país dos desejos, principalmente porque as estradas que vão dar no objeto de desejo(seja ele qual for) costumam ser intercortadas pelas estradas do desejo alheio e ai complica tudo. O mais engraçado é que por mais aflição que a não realização de uma vontade possa trazer a gente sempre aprende e começa a ver beleza onde não ousaria supor.
Não bastasse as análises da semana uma pessoa muito querida resolve dar uma de mestre dos magos e me solta essa charada: " siga seu coração...sem esquecer
sua razão...caminha racionalmente onde vc encontrar felicidade e vc descobrirá algo muito
legal..."
Pensa Cinthilar, pensa!
P.S.: Por falar em quereres, ai vai um pouquinho de Maria Bethânia p/trilha sonora do dia.
Bom... Inúmeras vezes postei músicas nesse blog, mas é que as canções me falam tanto que tenho a necessidade de registrá-las aqui, talvez com a pretensão de que alguém passe por aqui e resolva escutá-las e enxergue um pouco da beleza que encontro nelas, talvez pelo hábito adolescente de copiar músicas nos cadernos/agendas que foram substituídos por esse blog.
Deixando de lado a enrolação, a canção de hoje foi encontrada de forma totalmente aleatória tava ouvindo umas músicas do Caetano e encontrei num Medley " Ilusão À Toa". Tão lindinha.
Às vezes tenho a impressão de que as pessoas perderam as sutilezas dos antigos, o fato é que ao meu ver todos vivem uma espécie de amor miojo que fica pronto em 3 minutos. Não há tempo para as sutilezas do conhecer, sentir saudades então... não há tempo, a fila anda! Falo com um saudosismo de uma época que não vivi e isso não entendo muito bem, devo ter nascido na época errada.
Para mim a música de hoje fala exatamente sobre isso, sobre espera, sobre valorizar até mesmo um olhar."Somente um dia longe dos teus olhos trouxe a saudade... E o mundo inteiro fez-se tristonho"
Ilusão À Toa
Autor Desconhecido
Eu acho engraçado
Quando um certo alguém
Se aproxima de mim
Trazendo exuberância
Que me extasia
Meus olhos sentem
Minhas mãos transpiram
É um amor
Que eu guardo há muito
Dentro em mim
E é a voz do coração
Que canta assim
Assim
Olha, somente um dia Longe dos teus olhos Trouxe a saudade Do amor tão perto E o mundo inteiro Fez-se tão tristonho
Mas embora agora eu tenha perto Eu acho graça do meu pensamento A conduzir o nosso amor discreto Sim, amor discreto pra uma só pessoa Pois nem de leve sabes que eu te quero E me apraz essa ilusão à toa
Link da Música Completa
Link Medley do Caetano Veloso: 'Ilusão à Toa' e 'Amor Mais Que Discreto'
Amor Mais Que Discreto
Caetano Veloso
Talvez haja entre nós o mais total interdito
Mas você é bonito o bastante
Complexo o bastante
Bom o bastante
Pra tornar-se ao menos por um instante
O amante do amante
Que antes de te conhecer
Eu não cheguei a ser
Eu sou um velho
Mas somos dois meninos
Nossos destinos são mutuamente interessantes
Um instante, alguns instantes
O grande espelho
E aí a minha vida ia fazer mais sentido
E a sua talvez mais que a minha,
Talvez bem mais que a minha
Os livros, filmes, filhos ganhariam colorido
Se um dia afinal
eu chegasse a ver que você vinha
E isso é tanto que pinta no meu canto
Mas pode dispensar a fantasia
O sonho em branco e preto
Amor mais que discreto
Que é já uma alegria
Até mesmo sem ter o seu passado, seu tempo
O seu antes, seu agora, seu depois
Sem ser remotamente
Sequer imaginado
Por qualquer de nós dois
Por que gosto de músicas antigas, admiro sutilezas, e poque na minha rádio Mental estão tocando essas duas ai.
Sem mais.