quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sociedade do Suco de Maracujá ou Uma Tarde no Parque

Hoje foi um desses dias meio baixo-astral (isso foi tão 'super xuxa contra o baixo-astral'. Deus, como eu to velha! kkk). Enfim...Muita coisa na cabeça, um aperto no peito, um pouco de desesperança. Li esse texto que dizia que há poesia em tudo e que nós só precisamos abrir os olhos pra ver, então pus um tênis, short e camiseta e fui buscar a bela poesia da tarde.
Gosto muito do ambiente do parque da criança, me traz lembranças boas dos vários encontros com amigos, por causa dos pássaros que fazem festa nas árvores, porque nessa época do ano o ipê esta florido e forma um grande tapete cor de rosa no chão, por causa dos velhinhos fazendo caminhada a passos lentos, pelas mães e seus carrinhos de bebê e até pelos "bonitões" que se acham como tal  e que são muito engraçados pelo comportamento altivo, aquele ar de "vejam só os meus músculos que amor cultivei" kkkk. É divertido e tudo isso me lembra Deus. 

Hoje saí de casa com a certeza de que iria assistir uma cena muito bonita e realmente. Sentada à sombra de uma árvore vi quando seis meninos corriam em direção a um dos quiosques do parque, uns estavam sem camisa, outros descalços... O grude estava por toda parte: nos pés, nas bermudas e nas camisetas. O pretume espalhado pelo corpo testemunhava as inúmeras brincadeiras que com certeza tiveram naquela tarde de quinta-feira. Vejo um menino de canelas finas chegar primeiro, agarrar-se a uma garrafa de refrigerante chamando os demais, vejo-o bebendo o líquido que enxia pela metade a garrafa e depois de um longo gole ouço-o gritar para os outros: É suco de maracujá, toma! E fazendo cara feia disse a outro: Ah você não quer? Pois eu quero! Tudo naquela criança me fazia acreditar que era  um líder, do modo como falava ao jeito de andar. Em menos de trinta segundos todos estavam tomando o bendito suco, claro que não haviam copos e o passar da garrafa de uma mão para outra me parecia um ritual, uma espécie de ceia secreta da Sociedade do Maracujá, uma ceia caminhante é bem verdade, eles tinham pressa não podiam sentar, coisa de criança que sempre esta correndo, elas sabiamente têm certeza de que o tempo é precioso e que precisam aproveita-lo.

Saindo do parque caminhei em volta do açude velho, assisti um belíssimo pôr-do-sol que se refletia na lâmina d'água, vi senhoras e seus poodles, avôs com seus netos, descobri a existência de um monumento dedicado a Bíblia (tanta coisa pra fazer nessa cidade e o povo vai construir monumento a bíblia? Pelo amor de Deus, é muita falta de noção!) vi a quantidade de lixo jogada no açude e senti o mau cheiro que exalava. Em direção ao centro da cidade encontrei algumas velhinhas nas janelas, estranhamente elas sempre me chamam a atenção, me encanta aquele sorriso de quem já viveu muito, que correu muito e que talvez por isso tenha deixado a pressa de lado. As vezes fico imaginando como teria sido ver minha mãe envelhecer, esse tipo de coisa me fazia sofrer muito, hoje é uma curiosidade mais serena. O tempo é mesmo um dos deuses mais lindo e tem me feito muito bem.

Chegando ao centro da cidade vi o anoitecer e a correria nas lojas, a cidade respira os festejos e compras natalinas. Após um lanche voltei pra casa com o coração mais aliviado, com a felicidade das coisas simples e a esperança de que a vida é realmente muito bonita para eu ficar perdendo tempo com inseguranças e preocupações tolas, com a certeza de que Deus faz poesia todos os dias, ele sempre espalha singelezas como as de hoje mas é preciso olhos de ver e coração de escutar. Deus, obrigada por tua infinita bondade, da-me a graça de não perder a esperança e o brilho do olhar.
Amém.



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