terça-feira, 23 de outubro de 2012

E se?!

Se eu tivesse dito... Se tivesse interferido... Enfim...

____________: Você era uma criança ...
                          Num confuso mundo de adultos.

As coisas são como são. O "SE" não existe, só essa angústia.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Homem Invisível

Eram 11 de Outubro, o dia estava nublado e por volta das 14h10 ela estava a espera da condução que lhe levaria ao trabalho. Impaciente, olhava o relógio e balbuciava qualquer coisa entre xingamentos e frases de arrependimento por ter saído de casa naquela tarde.
Estava perdida entre seus pensamentos quando uma cena lhe chamou a atenção: Ao longe surgia um senhor maltrapilho, sujo e pelo cheiro que exalava ha muito não tomava banho. Ele se aproximou de um homem na rua que parecia ser o seu oposto, barba feita, cabelos bem cortados, roubas limpas e pés calçados.
Com medo, ela torcia em pensamento para que aquele mendigo não se aproximasse dela. Para sua infelicidade momentânea o senhor maltrapilho também foi falar com ela. Um pouco desconfiada ela só conseguiu dizer que não tinha dinheiro e teve como resposta dois toques no ombro, um sorriso e um: Não tem problema moça.
Ela então o viu se afastar lentamente até dobrar a esquina e perdê-lo de vista.  Tivera um grande amor? Família? Filhos? Amigos? Que aflições e alegrias já passou? Que rumos tomou a sua vida até o encontro daquela tarde? Que rumos tomará?
O Homem Invisível continuou sua estrada carregando o peso de sua história. Ainda imóvel e surpresa com o  ocorrido, ela se envergonhava dos pensamentos que tivera mas agradecia a vida a oportunidade de repensar suas atitudes. Agora ela carrega  na bagagem de sua memória as sensações vivenciadas nas páginas de sua história este evento ficará conhecido como O DIA EM QUE A MOÇA DA MOCHILA ENXERGOU O HOMEM INVISÍVEL.




***São muitos os invisíveis em meu país. Este foi fotografado por Daniel Kfouri e é muitíssimo parecido com o encontrado pela Moça da Mochila.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Disseram Que Eu Voltei Americanizada"

Começo o texto de hoje parodiando a Carmem Miranda: "Disseram Que Eu Voltei Americanizada"
É que já faz um tempo que me disseram que estou mudada, que ando distante de algumas pessoas e que até venho perdendo o carinho no trato com algumas delas. Confesso que fiquei muito assustada e resolvi fazer uma revisão das recentes mudanças em meu comportamento. 
De fato me afastei de alguns colegas, mas não seria este um afastamento natural? Afinal, não podemos carregar aqueles que gostamos em baixo de nossas asas o tempo inteiro. Cada um tem sua rotina e uma infinidade de tarefas a cumprir. Outra coisa, será que me afastei sozinha? Amizade é algo construído entre dois seres, então por que cobrar de apenas um a continuidade das conversas, os passeios, e enfim a cumplicidade?
É certo que com o tempo algumas pessoas se afastarão de nossas vidas, algumas vezes é inevitável. O que me deixa intrigada é saber porque algumas permanecem. A minha hipótese é a de que as pessoas permanecem em nossas vidas por mais tempo porque investem tanto quanto nós no que chamo de manutenção da amizade. Porque no meio da correria do dia-a-dia ainda perdem tempo ligando ou mandando uma mensagem na internet perguntando como foi seu dia ou lhe mandando uma música  simplesmente demonstrando que a sua presença faz bem e faz falta! 
Não vou questionar uma cobrança usando outra, ao invés de culpados acho mais enriquecedora a busca por novas formas de se fazer presente na vida um do outro e gostaria que esse exercício também fosse praticado por aqueles que estão em meu convívio.
Nessa história toda o que me deixou realmente preocupada foi a questão do carinho. Se houve reclamação a este respeito é porque eu devo realmente ter sido ríspida com quem comentou o assunto comigo. Revirando meu baú de lembranças encontrei as vezes em que fui rude e os elementos que impulsionaram a esse tipo de atitude e só então admiti minhas mudanças.
Tenho me sentindo bem mais livre nos últimos tempos, responsável por minhas escolhas, mais dona de meu destino e apesar do medo que essa liberdade por vezes promove tenho sido mais feliz. Agir com base em meu próprios julgamentos tem me feito tão bem que eu simplesmente não concebia o fato de algumas pessoas ainda se sentirem comandadas por familiares, maridos, filhos... Foi então que percebi o quanto eu estava sendo injusta. Eu não tenho o direito de cobrar dos outros as mudanças que fizeram bem para mim. Posso sugeri-las, nunca cobra-las. Devo ser gentil com as pessoas não porque elas pensam como eu, mas porque esta é a única coisa boa que a gente pode fazer nesta vida.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Medo de Ter e Ser


"— Veja aquela moça ali, por exemplo, a de maio vermelho. Veja como anda com
um orgulho natural de quem tem um corpo. Você, além de esconder o que se chama alma,
tem vergonha de ter um corpo."

(LISPECTOR, Clarisse. A Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres.)