domingo, 13 de novembro de 2011

Dia, Belo Dia, Te Espero Com Ansiedade


“ [...] E um dia virá, sim, um dia virá em mim a capacidade tão vermelha e afirmativa quanto clara e suave, um dia o que eu fizer será cegamente seguramente inconscientemente, pisando em mim, na minha verdade, tão integralmente lançada no que fizer que serei incapaz de falar, sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! o que eu disser soará fatal e inteiro! não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante: sempre fundido, porque então viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e malfeita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas, ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.”
                                                                                   
  (Clarisse Lispector – Perto do Coração Selvagem) 

Tenho tentado, Deus sabe o quanto... Ser paciente, corajosa, livre, dona de mim e acima de qualquer coisa exercitar uma generosidade calma. O mundo não gira em torno de minhas vontades e eu preciso aceitar isto, porém preciso aceitar sem esse sofrimento, com a leveza e sabedoria dos grandes, não com essa aflição dos últimos dias.
Talvez eu esteja sendo pretensiosa demais, mas já sei tudo o que preciso fazer para administrar melhor esse entrave do caminho e tenho certeza que generosidade é a palavra de ordem. 
Minha razão diz, diz não, GRITA que o melhor já está acontecendo. Então pra quê essa tristeza meu Deus? Porque a felicidade de quem quero tanto bem tem me feito sofrer? Que gostar fajuto é esse meu?
Meus sentimentos até entendem minha razão, mas querem outra coisa, outra historia. Ah tão bruta flor do querer...
O que mais tem incomodado é que eu já sabia que ia ser assim e hoje pago o preço por ignorar meus alarmes.
Também não posso ser tão negativa ao ponto de não perceber o que venho aprendendo com tudo isso, quantos pontos de vista interessantes encontrei no convívio, quantos risos tenho dado  no percurso, e quantas transformações positivas tenho passado e talvez seja por estas mudanças que tenho insistido em não manter a talvez necessária distância.
Vejo a dona CONTRADIÇÃO mais uma vez dando as caras nesse texto e no meu peito. Ai ai...
E como me é de costume uma musiquinha esperançosa da Roberta Sá pra mudar o clima desse post, afinal eu não sou tão Down assim. :)




Pressentimento
Roberta Sá

Ai ardido peito
Quem irá entender o seu segredo
Quem irá pousar em teu destino
E depois morrer de teu amor.
Ai mas quem virá
Me pergunto a toda hora
E a resposta é o silêncio
Que atravessa a madrugada.
Vem meu novo amor
Vou deixar a casa aberta
Já escuto os teus passos
Procurando o meu abrigo.
Vem que o sol raiou
Os jardins estão florindo
Tudo faz pressentimento
Que esse é o tempo ansiado de se ter felicidade.



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